Saiba quais foram os principais argumentos da defesa de Bolsonaro no julgamento
Crédito: Rosinei Coutinho/STF
Nesta quarta-feira (3), os advogados que defendem Jair Bolsonaro no julgamento da suposta tentativa de golpe de estado, fizeram as suas sustentações diante dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que o réu seja inocentado das acusações, por vários pontos destacados ao longo das investigações.
O advogado Celso Vilardi, afirmou que a defesa não teve acesso integral e nem tempo suficiente para analisar todas as provas que foram produzidas pelo Ministério Público. Ele afirmou ter recebido 70 terabytes de dados.
“Desde o primeiro momento, tenho pedido as provas que estão no processo. Eu não nego as provas eleitas pela Polícia Federal e pela denúncia foram colocadas nos autos e estão à disposição desta e de todas as defesas. Mas que provas são essas? São recortes de conversas de WhatsApp, são documentos como um papel, uma agenda, que foram localizados em computadores. São dezenas de computadores, de celulares. São milhares de documentos apreendidos”, afirmou
Outro pedido do advogado, refere-se a anulação da deleção premiada de Mauro Cid, que também é reu no processo. Ele afirmou que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deu mais de dez depoimentos, com várias versões diferentes, inclusive com inconsistências apontadas pelo póprio Ministério Público.
“A prova produzida pela defesa demonstra que o presidente Bolsonaro determinou uma transição; o então nomeado ministro de defesa afirmou que estava tendo dificuldades de conversar com os comandantes militares em dezembro, e ele autorizou e ajudou este novo ministro nomeado por Lula para fazer a transição do cargo em dezembro”, disse.
Outro advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, sustentou no fim de suas manifestações, que no dia 30 de dezembro, após fazer toda a transição de governo, Bolsonaro fez uma live e pediu para que seus eleitores e seguidores não atuassem de forma violenta contra o resultado das eleições, pedindo para que a Constituição fosse respeitada. Esta prova apresentada nos autos, segundo o advogado, serve para provar que o ex-presidente era contra qualquer ato similar ao que ocorreu no dia 8 de janeiro, e que atuou dentro da sua função como Presidente da República, para demover qualquer ideia de manifestação violenta contra membros do novo governo eleito e contra ministros do STF.
O principal momento do julgamento será na próxima semana, quando os ministros deverão ler seus votos e afirmar se acompanham o relator Moraes que pedirá a condenação de Bolsonaro e outros réus, se votarão contra (o que parece improvável), ou se pedirão vistas para analisar o caso por pelo menos mais três meses.
