Vereadora Mara cobra informações detalhadas sobre dívida previdenciária da prefeitura

Vereadora Mara cobra informações detalhadas sobre dívida previdenciária da prefeitura

Vereadora Mara cobra informações detalhadas sobre dívida previdenciária da prefeitura

Foto: Divulgação assessoria

A vereadora Mara Fornazari Urbano apresentou um posicionamento crítico e detalhado sobre o Projeto de Lei nº 15/2026, de autoria do Poder Executivo, que trata da reavaliação do plano de amortização do déficit atuarial do Prevbel (Previdência Social dos Servidores Públicos Municipais de Francisco Beltrão).

A parlamentar realizou uma análise técnica e política da proposta e, ao final, declarou voto contrário ao projeto. Além disso, diante da complexidade da matéria, também apresentou requerimento solicitando uma série de informações detalhadas à administração municipal e ao atuário responsável.

Mara destaca que o projeto trata diretamente da sustentabilidade da previdência municipal. O déficit atuarial do Prevbel está estimado em mais de R$ 393 milhões, conforme a última avaliação. A proposta estabelece um novo cronograma de aportes até 2065 e revoga a lei aprovada em 2025. Encaminhado em regime de urgência, o projeto teve esse pedido rejeitado pela Câmara, decisão considerada importante pela vereadora diante da necessidade de análise aprofundada.

Projeto volta em 30 dias

Com a derrubada do regime de urgência, o Projeto de Lei foi retirado de pauta por 30 dias. Nesse contexto, Mara protocolou Requerimento, aprovado pelo plenário, solicitando informações técnicas fundamentais para a análise da proposta. O pedido inclui documentos atualizados da avaliação atuarial, detalhamento dos aportes realizados entre 2022 e 2025, evolução da dívida previdenciária, identificação de períodos com amortização real, nula ou negativa, memorial de cálculo completo e simulações do novo plano de custeio.

A vereadora também requisitou nota técnica explicando a eventual redução do déficit, com base em fatores como taxa de juros, tábua de mortalidade e dados do censo previdenciário. Ela questiona a variação do déficit atuarial em relação a avaliações anteriores, que indicavam valores superiores, buscando esclarecer se a redução decorre de aportes efetivos ou de alterações nas premissas atuariais. Segundo Mara, as informações são indispensáveis para garantir uma decisão responsável por parte do Legislativo.

Embora o parecer jurídico aponte regularidade formal, a vereadora reforça que cabe ao plenário avaliar o mérito da proposta. Ela lembra de ressalvas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná em análises anteriores relacionadas ao tema. Também destaca que a Comissão de Constituição e Justiça já havia solicitado manifestação do Conselho do Prevbel, documento que ainda não apresentado até aquele momento.

Um dos principais pontos levantados é que o projeto não traz mudanças estruturais em relação ao anterior. A diferença está apenas na atualização dos valores, conforme exigido pela legislação previdenciária. Na avaliação da vereadora, trata-se de um ajuste obrigatório, mas insuficiente para resolver o problema.

Pagamento não cobre juros

A análise apresentada por Mara aponta que o município prevê pagar cerca de R$ 14 milhões em 2026, enquanto os juros da dívida são estimados em aproximadamente R$ 21 milhões no mesmo ano. Com isso, o saldo devedor tende a aumentar em cerca de R$ 7 milhões já no primeiro ano. Para a vereadora, isso indica que o plano não reduz o passivo no curto prazo, postergando seus efeitos para os exercícios seguintes. Também chama a atenção para os valores previstos nos anos seguintes, considerados baixos para a capacidade do município.

A vereadora destaca que o próprio estudo atuarial apresenta três cenários possíveis: um modelo com menor aporte inicial, que não cobre integralmente os juros; um modelo intermediário, que estabiliza a dívida ao cobrir os juros; e um modelo mais robusto, com amortização efetiva do passivo. Para Mara, a escolha do Executivo foi pela alternativa menos eficaz.

Risco de agravamento

Outro ponto levantado é relacionado ao horizonte do plano, que se estende até 2065. A vereadora alerta que o próprio estudo atuarial indica risco de agravamento da situação em cerca de 15 anos. Diante disso, questiona a efetividade de um planejamento de longo prazo sem medidas estruturais imediatas. Apesar disso, o regime ainda apresenta liquidez no curto prazo, o que reforça a necessidade de análise voltada ao equilíbrio de longo prazo.

Mara reconhece o esforço técnico de servidores, do atuário e da equipe da administração, mas afirma que falta uma decisão política mais firme para enfrentar o problema. Segundo ela, há o risco de que novos projetos semelhantes sejam apresentados nos próximos anos, repetindo a lógica de adiamento.

Através destas constatações, a vereadora declarou voto contrário ao projeto. Para ela, aprovar a proposta neste momento, sem as informações solicitadas e sem mudanças estruturais, seria assumir o adiamento de um problema grave. Com o requerimento apresentado e o prazo de 30 dias fora de pauta, a expectativa agora é que o Executivo encaminhe os dados necessários para uma análise técnica mais aprofundada por parte dos vereadores.

(Assessoria Câmara de Vereadores)

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