Papa Leão XIV afirma que Jesus é único Salvador e impõe limites para veneração a Maria
Foto: Redes sociais/Reprodução
Cidade do Vaticano — Em ato surpreendente, o Vaticano anunciou nesta terça-feira (4) uma instrução doutrinária que põe fim a décadas de debate interno sobre o papel de Maria na obra da salvação. Com o decreto — aprovado em 7 de outubro e publicado pelo Dicastery for the Doctrine of the Faith sob o nome Mater Populi Fidelis — o Pontífice reafirma que “Jesus sozinho salvou o mundo”, e que Maria, embora venerada, não cooperou para salvar a humanidade da danação.
O documento esclarece que títulos longamente usados, como “Co-redentora” (ou em inglês “Co-Redeemer”) e “Mediadora de todas as graças” (“Mediatrix of all graces”), devem ser evitados quando implicarem que Maria teve participação equivalente ou paralela à de Cristo no ato da redenção. Tal uso seria, segundo o decreto, “inapropriado” porque “risca eclipsar a mediação única de Cristo” e introduzir “confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã”.
O texto reconhece que Maria desempenha papel especial como “Mãe dos fiéis” e “primeira redimida” mas deixa claro que sua cooperação na salvação foi distinta da ação redentora de Cristo.
Especialistas observam que a medida coloca fim a um debate que já provocou divisões públicas entre papas recentes — João Paulo II chegou a usar “Co-redentora” algumas vezes, mas seus sucessores Bento XVI e a Papa Francisco manifestaram reservas.
Para analistas religiosos, a decisão também tem implicações ecumênicas, já que o título “Co-redentora” vinha sendo visto como obstáculo em diálogo com outras denominações cristãs, que consideravam o uso como exagero mariológico.
Fonte: Vaticano – Nota doutrinária Mater Populi Fidelis, publicada 4 de novembro de 2025.
