Carta aberta de detentas relata problemas na cadeia de Dois Vizinhos

Carta aberta de detentas relata problemas na cadeia de Dois Vizinhos

Carta aberta de detentas relata problemas na cadeia de Dois Vizinhos

Detentas da Cadeia Pública de Dois Vizinhos divulgaram uma carta aberta relatando problemas enfrentados na unidade prisional. Entre as principais denúncias estão superlotação, falta de água, condições inadequadas de higiene e alimentação, dificuldades no acesso a medicamentos e atendimento médico, além de relatos de violência.

A carta, datada de 20 de agosto, afirma que celas com capacidade para oito pessoas estariam abrigando mais de 20 detentas. Segundo o documento, mais de 25 mulheres estariam dormindo fora das celas, no chão. As detentas também relatam que espaços destinados inicialmente à triagem passaram a ser utilizados para permanência de mulheres já condenadas.

Outro problema apontado é a falta de água. Conforme a carta, em alguns períodos as detentas permaneceriam dias sem abastecimento adequado e, quando restabelecido, o fornecimento apresentaria alterações na cor, cheiro e sabor.

As reeducandas também fazem denúncias sobre a qualidade da alimentação, afirmando que já teriam recebido comida crua ou estragada e encontrado insetos e outros resíduos nas marmitas. Elas relatam ainda umidade, mofo, colchões em condições precárias, presença de ratos e baratas e dificuldades para obter medicamentos e atendimento de saúde.

A carta também traz uma acusação de agressão contra uma detenta, que teria sido praticada por um funcionário terceirizado durante uma troca de cela. As autoras afirmam que episódios de violência já teriam ocorrido anteriormente. O relato não apresenta, no entanto, detalhes sobre eventual investigação específica do caso.

Também são mencionadas dificuldades na comunicação com familiares e poucas oportunidades de estudo, leitura, trabalho e artesanato para remição de pena.

Ao final, as detentas afirmam que não reivindicam privilégios, mas melhores condições de tratamento e respeito aos direitos básicos. Elas ressaltam ainda que o atual gestor da unidade estaria tentando solucionar parte dos problemas, mas dependeria de recursos e autorizações do Estado.

Polícia Penal contesta denúncias

Procurado pelo PPNews, o coordenador da 7ª Regional da Polícia Penal, Marcos Andrade, afirmou que as denúncias, de maneira geral, não procedem. Ele reconheceu, porém, que existe superlotação na unidade.

Segundo Andrade, a Cadeia Pública de Dois Vizinhos é acompanhada pelo Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho de Segurança e Conselho da Comunidade.

Sobre as reclamações relacionadas à alimentação, o coordenador afirmou que a comida fornecida às detentas é a mesma servida na Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão e contestou as irregularidades relatadas na carta.

Andrade destacou que a superlotação não é uma situação exclusiva de Dois Vizinhos e atinge unidades prisionais masculinas e femininas. Segundo ele, tratativas estão em andamento para amenizar o problema, mas a situação não pode ser solucionada imediatamente.

O coordenador informou ainda que novas medidas deverão ser adotadas nesta semana. Ele ressaltou que o sistema precisa continuar recebendo as pessoas presas pelas forças de segurança, o que dificulta a redução da superlotação.

As demais acusações específicas apresentadas na carta, incluindo os relatos sobre falta de água, medicamentos, condições sanitárias e suposta agressão, não tiveram resposta detalhada na manifestação repassada ao PPNews.

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