Foto: Designed by Freepik
A evolução do consumo de mídia está em ritmo acelerado. Desde o surgimento dos serviços de streaming, a forma como assistimos a filmes, séries e programas foi radicalmente transformada. Plataformas como Netflix, Amazon Prime, e Disney+ desafiaram as emissoras tradicionais, colocando o poder da escolha nas mãos dos telespectadores e permitindo o acesso a conteúdos a qualquer hora, em qualquer lugar.
No entanto, uma questão persiste: a TV ainda é relevante na era do conteúdo sob demanda? Para entender melhor, é preciso examinar o papel da TV tradicional e como ela se adapta às novas exigências do público.
Há décadas, a televisão tem sido o centro das experiências familiares e sociais. Grandes eventos, como a Copa do Mundo, eleições presidenciais e shows ao vivo, são exemplos de como a TV tradicional promove uma experiência coletiva que as plataformas de streaming dificilmente conseguem replicar. Esse sentimento de participação conjunta, a “audiência em massa”, que ocorre em tempo real, é um dos principais fatores que ainda dão à TV relevância nos dias de hoje.
De acordo com um estudo publicado pela Nielsen em 2023, 82% dos consumidores afirmam assistir à TV linear, pelo menos ocasionalmente, para eventos ao vivo. Isso inclui noticiários, eventos esportivos e shows musicais. Esses conteúdos se tornam um ponto de reunião, proporcionando uma sensação de urgência e relevância que nem sempre está presente nos serviços sob demanda, onde o acesso está literalmente à distância de um clique.
A TV tradicional também é uma poderosa ferramenta de informação em tempos de crise. Quando ocorrem eventos urgentes, como catástrofes naturais ou situações de emergência, a televisão é frequentemente a fonte primária para notícias em tempo real. Ela tem uma capacidade de resposta imediata que muitas plataformas de streaming, com catálogos previamente produzidos, não possuem. Essa confiabilidade imediata continua sendo um dos fatores principais que mantêm a TV viva.
Ao contrário do que se possa imaginar, a TV e os serviços de streaming não precisam ser concorrentes diretos. Muitas vezes, eles operam de forma complementar. Segundo a Digital TV Research, a penetração dos serviços de streaming cresceu em quase todos os países, mas isso não significou uma completa eliminação da TV tradicional. Na verdade, há um fenômeno interessante acontecendo: a convergência dos dois formatos.
Os televisores inteligentes (Smart TVs) permitiram que o consumo de streaming e TV linear coexistirem no mesmo dispositivo. Isso oferece ao usuário uma experiência unificada, onde é possível alternar facilmente entre um programa ao vivo e uma série sob demanda. Muitos canais tradicionais agora possuem suas próprias plataformas de streaming, como é o caso da Globoplay no Brasil, e de outras redes internacionais, como a BBC com o iPlayer. Esses serviços garantem que o telespectador não precise abandonar a programadora tradicional para consumir conteúdo no formato sob demanda.
O exemplo da Claro TV é emblemático desse movimento. A Claro TV disponibiliza uma gama de canais ao vivo que também podem ser acessados por dispositivos móveis, permitindo ao usuário acompanhar sua programação preferida enquanto está em trânsito ou sem acesso a um televisor. Isso demonstra como os serviços tradicionais estão se adaptando, promovendo uma nova maneira de assistir televisão, onde o fato de “estar ao vivo” é mantido, mas a acessibilidade ganha um impulso significativo.
Uma das maiores transformações observadas na era do conteúdo sob demanda é a alteração no perfil do telespectador. Estudos mostram que as novas gerações têm preferência por conteúdo personalizado e imediato. Segundo dados de uma pesquisa da Statista em 2024, cerca de 60% dos jovens entre 18 e 34 anos declararam preferir serviços de streaming a TV linear. Esse público é menos paciente com propagandas e se acostumou ao ritmo prático do “binge-watching”, no qual maratonam suas séries preferidas sem precisar esperar uma semana para o próximo episódio.
No entanto, ainda há uma audiência significativa que prefere a programação linear. Em grande parte, é um público mais velho, que tem hábitos mais consolidados e que encontra na TV uma forma de se conectar à rotina, algo seguro e previsível. O conceito de zapping — mudar de canal até encontrar algo que chame a atenção — ainda faz parte do entretenimento de muitas pessoas. A televisão também é vista como um ponto de encontro social, com a família se reunindo em volta do aparelho para assistir a algo juntos.
Outro ponto importante a ser considerado é o impacto publicitário. Apesar do crescimento da publicidade digital, a TV ainda detém uma fatia considerável dos investimentos publicitários. A razão para isso é o alcance massivo e a capacidade de direcionar mensagens a uma grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo. Uma propaganda veiculada na TV ainda alcança milhões de pessoas, algo que pode ser difícil de replicar com a mesma eficácia em plataformas digitais.
A publicidade em serviços de streaming, por outro lado, é mais personalizada e segmentada. As plataformas conseguem coletar dados precisos sobre o comportamento do usuário, proporcionando um direcionamento mais eficaz dos anúncios. Apesar disso, muitos consumidores preferem planos de assinatura que eliminem a publicidade, algo que mostra certa resistência à propaganda em plataformas digitais.
É importante mencionar que grandes eventos esportivos e acontecimentos ao vivo ainda atraem a atenção dos anunciantes para a TV. Nesses momentos, as marcas têm a oportunidade de impactar diretamente milhões de espectadores em tempo real, enquanto eles estão focados em um evento específico, criando uma experiência de imersão única.
A TV tradicional está em um processo de reinvenção para se manter relevante. A convergência entre televisão e serviços de streaming tem sido a principal estratégia das emissoras para garantir sua sobrevivência. A inclusão de recursos interativos, a integração de conteúdo ao vivo com on-demand e a possibilidade de assistir à programação em qualquer lugar são alguns dos exemplos dessa adaptação.
É provável que vejamos um aumento no uso de tecnologias como a realidade aumentada (AR) e a realidade virtual (VR) em programas de TV, o que permitirá uma experiência ainda mais imersiva. Programas de auditório e eventos esportivos poderiam ser beneficiados por tais avanços, atraindo uma audiência que busca novas maneiras de interação com o conteúdo.
As plataformas de streaming trouxeram praticidade e variedade de escolha, mas a TV ainda se destaca pela experiência de comunidade e imediatismo. Ela tem o poder de unir milhões de pessoas ao redor do mundo em um momento comum, algo que as plataformas de conteúdo sob demanda, focadas na individualidade, não conseguem replicar com tanta eficiência. Muitas iniciativas que oferecem um híbrido entre as modalidades são exemplos claros da direção que o futuro da mídia pode tomar: um espaço onde o melhor dos dois mundos — o agendamento e a flexibilidade — é oferecido ao consumidor.
Portanto, é seguro dizer que a TV, embora desafiada pela era do conteúdo sob demanda, ainda é relevante e encontra novas formas de permanecer no centro do entretenimento. Ela se adapta e evolui, integrando-se aos novos hábitos de consumo e oferecendo ao público a possibilidade de desfrutar de diferentes formatos de conteúdo, seja ao vivo, seja sob demanda. É essa capacidade de reinvenção que garante que a TV continue a ocupar um espaço importante no lar das pessoas, mesmo em tempos de tantas transformações.
Descubra como a acerola fortalece o sistema imunológico, previne gripes e melhora a saúde com…
Um condutor precisou ser socorrido após um acidente de trânsito no início da noite desta…
Um acidente de trabalho tirou a vida de Roque Sebastião Camargo Dias, de 52 anos.…
O condutor de uma motocicleta ficou ferido após um acidente na tarde desta sexta-feira (4),…
A Polícia Militar foi acionada no final da manhã desta sexta-feira (4) por volta de…
Darce Almeida/Acefb – Francisco Beltrão e região Sudoeste se preparam para conferir todas as atrações…
This website uses cookies.