Publicado em 21/06/2016

A pouco mais de quatro meses para eleição norte americana, o bilionário americano Donald Trump e Hillary Clinton travam embates sobre o rumo da maior economia do mundo. E o que o Brasil tem a ver com isso?

Basicamente o nosso País não tem relevância alguma em debates dos presidenciáveis norte-americanos. Suas preocupações referem-se em grande parte à pautas internas como controle de armas, combate ao terrorismo e preservação de empregos e também temas externos voltados aos refugiados, imigrações ilegais, energia nuclear e a secular interferência do poderio bélico do País em blocos europeus e asiáticos.

O Brasil pouco tem relevância para eles. Contudo, para nós o interesse é bem maior. O mercado financeiro norte americano impacta diretamente nossa bolsa de valores. As taxas de juros deles mais altas afugentam investimentos em nosso solo, uma vez que o risco de investir lá é menor e o ganho começa a se tornar vantajoso. Situações como espionagem que aconteceram em 2014 podem voltar acontecer e por fim o acesso ao País dos sonhos pode se tornar mais difícil para estudantes, empreendedores e até turistas.

Trump tem um perfil mais agressivo. Intimidador, o candidato falou em “colocar limites” em negociações com outros países e que esses limites sejam voltados aos interesses dos Estados Unidos, caso contrário não irá tolerar pressões exigindo respeito e gratidão. O aumento do poderio militar é prioridade, buscando tornar o País mais ofensivo e intimidador. Em relação aos imigrantes prometeu a criação de um muro entre EUA e México, barrando a entrada de pessoas, além de intensificar a retirada de imigrantes ilegais, dos quais muitos brasileiros estão na lista.

Hillary com perfil mais intervencionista busca manter boas relações com Países estrangeiros, mas não abrirá mão do poderio militar, principalmente no que se trata do estado islâmico e combate ao terrorismo. Sua bandeira é o aumento da segurança interna, intensificando controle de aeroportos e da força de inteligência nacional. A candidata defende um maior controle sobre as armas, diferentemente de seu oponente. Quanto aos imigrantes ela prevê acordos e planos de imigração, tendendo a regularizar situações dos ilegais.

O Brasil vai fiando de lado nessa eleição, poucos temos à contribuir e muitas vezes nem somos lembrados. Mas para nós é importante entender os rumos dessa nação que tanto impacta por aqui e no mundo inteiro. Talvez sejamos lembrados nas olimpíadas, mas caso haja algum fato relevante, se não nem isso.

Fica claro que além de todos os problemas internos, externamente não somos levados em conta.  Precisamos assumir o protagonismo. Sermos citados por acontecimentos positivos, buscar reconhecimento e liderança. Até na América Latina temos dificuldades em intervir na falta de democracia em países vizinhos ou em pautas importantes do Mercosul. O protagonismo já foi assumido pela Argentina, que vai bem na economia e no futebol. A nós está sobrando sermos espectadores.

Escrito por Professor Robson Faria - Mestre em Administração PUCPR/Especialista em Finanças Unipar



21/06/2016