Publicado em 11/04/2016

O país está em crise, o que comprova isso são os dados. Toda economia passa por ciclos econômicos, é normal termos períodos de recessão, mas na medida certa o ajuste acontece e em determinado período surge a melhora de alguns dados. No caso atual nenhum dado vem cedendo de maneira contundente.

O primeiro dado que exponho é o da inflação. Nos últimos 12 meses tem um acumulado de 9,39% e no primeiro trimestre do ano apresenta-se acima da meta aos 7,28%. Estava pior ao final de 2015, no entanto esse pequeno movimento de recuo deve-se mais a falta de consumo e baixa nas vendas, forçando preços para baixo, do que medidas efetivas de controle.

Outro dado preocupante é o desemprego que já atingiu 9,5%. São quase 10 milhões de pessoas em busca de postos de trabalho, sem contar a informalidade. E a estimativa não é boa, pois as empresas estão enfrentando sérias dificuldades financeiras, e setores que antes absorviam a massa de trabalho estão estagnados.

Como não há incentivos a produtividade a tendência é negativa no longo prazo e quando existem, as ideias permeiam apenas ao crédito facilitado para determinados setores, o que pode se tornar um fator agravante de inadimplência e insustentabilidade do sistema.

Períodos de recessão são cíclicos, não duram para sempre, mas quanto maior o tempo mais compromete a capacidade de reação. O Produto Interno Bruto do Brasil começou seu declínio a três anos atrás e em 2015 recuou -3,8%. Essa demora na recuperação demonstra algo mais grave do que uma simples recessão.

Entre todas as discussões geradas em torno da crise, uma discussão que se faz em períodos de crescimento é a de como melhorar os serviços intermediários à produção, rodovias, portos, aeroportos, reformas em armazéns são pautas para diminuir o custo Brasil que não estão sendo discutidas hoje. E não há tempo para elas, pois primeiro tenta-se sair do buraco, mas essas pautas surgirão cedo ou tarde.

O grande desafio para economia é o diálogo. Independentemente de quem assumir, ou continuar no governo, o problema econômico é evidente, e apenas o diálogo conciso com apontamento de problemas e soluções pode levar à saída do quadro gravíssimo que estamos. Isso foi o que Joaquim Levy tentou fazer, mas o diálogo não ocorreu. Espera-se que daqui para frente, quem estiver a frente da economia leve a sério e aos que podem atrapalhar, não o façam, procurando respaldo em dados congruentes para tomar as decisões mais acertadas.

Escrito por Professor Robson Faria - Mestre em Administração PUCPR/Especialista em Finanças UNIPAR

 

 





Como observa-se no Gráfico acima em 2014 houve uma queda expressiva, continuada em 2015 e com previsão ruim para 2016, e tímida melhora em 2017.