Publicado em 22/12/2015

Ministro da fazenda é o cargo máximo da economia. Ministros da fazenda são lembrados, às vezes até mais que presidentes. Delfim Neto, Bresser Pereira, Fernando Henrique Cardoso e Zélia Cardoso de Mello são nomes fortes em nossa lembrança e claro Guido Mantega. Joaquim Levy foi um dos nomes que menos tempo permaneceu no cargo, mas sua marca é forte. Um ministro que remou sozinho, um ministro que apresentou medidas concretas para corrigir erros do passado. Suas considerações sobre a economia não serão desfeitas e sim seguidas por seu sucessor, mas nesse momento sua força política debilitada o levaram a sair pela porta dos fundos.

Sua saída foi benéfica para ele mesmo, ao articular com investidores, empresas e agencias de investimento colocou toda sua credibilidade e conhecimento à disposição do país, pois todas suas promessas a fim de manter o Brasil na elite global não atingiram os objetivos desejados. Os ajustes propostos foram barrados em decisões, ou indecisões, entre planalto e congresso.

Sua saída já era ameaçada desde o começo de sua assunção. Levy colocou suas condições na mesa, e na minha opinião durou muito, na ânsia de ajudar um país que se encaminha ao fundo do poço.

Enquanto não se resolver a crise política, não interessa quem estiver na pasta, a crise econômica estará presente.

Nelson Barbosa, ideologicamente se apresenta mais alinhado aos pensamentos da presidente, que atualmente é quem realmente decide rumos na economia, o que é ruim para o mercado, tendo em vista uma máquina inflada, altos tributos e casos de corrupção.  

Os principais problemas presentes são: Inflação alta e consequente perda de poder aquisitivo da população; enfraquecimento da indústria e aumento do desemprego; desvalorização da moeda nacional e alta do dólar, retratando a desmoralização no cenário internacional pela moeda fraca; e crédito mais caro desaquecendo a economia.

Com desconfiança, Barbosa assume, parecendo ser algo que sempre desejou chegar ao ponto máximo da economia no governo. Talvez com mais apoio ele consiga trazer dados econômicos positivos, mas não há como fugir das recomendações de seu antecessor.

Caso tente algo muito diferente do que vem sendo proposto o mercado vai penaliza-lo. Sua entrada deve ser mais conciliadora do que com fórmulas exorbitantes. Fazer o dever de casa, arroz com feijão, pode ajudar a manter por mais tempo que Levy. Que ele pegue a vassoura e comece a arrumação.

Escrito por Professor Robson Faria - Mestre em Administração PUCPR/Especialista em Finanças UNIPAR

 

 

 



22/12/2015